Cenário ou Cena?
É cenário?
É relação?
Embora carregada de subjetividade, há uma objetividade no termo paisagem, conferido por suas partes componentes e suas relações. Afinal, todo todo é composto por partes. Mas quais seriam as partes que compõem a paisagem?
O fato é que sempre observamos com os nossos próprios olhos, tudo depende de quem observa. Portugueses e Holandeses, por exemplo, enxergaram o Brasil de formas diferentes. Enquanto o interesse português era direcionado às riquezas naturais que poderiam ser transformadas, os holandeses enxergaram-nas de outra forma, observaram o belo e o retrataram. Ora, a paisagem era a mesma. Mas era diferente a visão (e suas consequências).
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Costão Rochoso da Praia de Itaguá, Bertioga, SP. |
A paisagem possui uma dinâmica complexa e é função da Educação Ambiental levar à sociedade essa concepção. Afinal, todos compartilhamos paisagens coletivamente e socialmente, entretanto, o grupo que a manipula é restrito. Quem toma as decisões a respeito das modificações das paisagens? Será que essas visam melhorias sociais? Interesses econômicos? Políticos? Visam o desenvolvimento? Que noção de desenvolvimento temos? Há uma unanimidade a respeito? O que pensamos?
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Mata Atlântica, Serra do Mar, SP. |
O ser humano interage com a paisagem de forma social e cultural. A valoração do espaço natural se construiu historicamente junto a crise ambiental – o famoso “perder para dar valor”. Àqueles que têm acesso, o cenário natural confere a confirmação de poder, o status, sobre os demais indivíduos da sociedade, que não têm. Basta observar o público que mora nos prédios de frente para a praia e o que vive na parte mais poluída do estuário.
Entretanto, o que observamos hoje, na sociedade do espetáculo, é o personagem natureza, pensado e elaborado com fins de torná-la mercantilizada.
O ser humano é hiperespecializado em sê-lo, como seria possível entendermos o todo?
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