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domingo, 16 de janeiro de 2011

Revisão do Código Florestal pode legalizar área de risco e ampliar chance de tragédia

16/01/2011 - 04h04

Revisão do Código Florestal pode legalizar área de risco e ampliar chance de tragédia


O projeto do novo Código Florestal amplia a chance de ocupação de áreas de risco, uma das razões das mortes causadas pela chuva no Sudeste, informa a reportagem deVanessa Correa e Evandro Spinelli publicada na edição deste domingo da Folha 
DE SÃO PAULO

O texto em tramitação no Congresso não considera topos de morro como áreas de preservação permanente e libera a construção de casas em encostas. Em locais assim houve deslizamentos que mataram centenas de pessoas no Estado do Rio.
O projeto reduz ainda a faixa de preservação nas margens de rios, criando brecha para o uso de áreas como o alagado Jardim Pantanal, zona leste paulistana.
O relator da revisão do Código Florestal, Aldo Rebelo (PC do B-SP), nega que o projeto trate de regras nas cidades. O texto, porém, cita a regularização fundiária de áreas urbanas.
Editoria de Arte/Folhapress

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Idéias para composição de um plano ambiental para cidades brasileiras sob impactos das chuvas e verão


·         Programa de identificação de áreas prioritárias para recuperação ambiental
o   Mapeamento geotécnico por municípios
o   Mapeamento de áreas de preservação permanente
o   Mapeamento de ocupações irregulares sobre áreas de preservação permanente
o   Mapeamento de áreas de risco
o   Sobreposição de mapeamento geotécnico, áreas de preservação permanente e áreas de risco

·         Programa de recuperação de áreas prioritárias: vertentes, topos de morros, várzeas de rios
o   Definição de critérios de prioridades para recuperação ambiental
o   Hierarquização de áreas prioritárias
o   Desocupação de áreas prioritárias
o   Construção de viveiro de mudas de espécies vegetais nativas
o   Recuperação da cobertura vegetal
o   Monitoramento de vazão hídrica e sedimentos
o   Implementação de usos extensivos sazonais em ares de várzeas (agricultura orgânica, parques lineares, áreas de lazer sazonais)
·         Programa de renaturalização de córregos e rios
o   Mapeamento e hierarquização da rede de drenagem
o   Avaliação das condições ambientais regionais das bacias de drenagem
o   Retirada de edificações, sobretudo de habitações e atividades comerciais, em várzeas de córregos e rios conforme previsto no código floresta, inclusive em áreas urbanas
o   Recomposição de matas ciliares
o   Implementação de usos extensivos para impedir a ocupação de várzeas 


Davis Gruber Sansolo 

Valores da conservação


Valores da conservação

12/1/2011
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – A atribuição de valor aos serviços ecológicos é um fator importante para incentivar a preservação da natureza e da biodiversidade. Mas não é suficiente: as dimensões econômicas por si só não garantem a conservação se não forem agregadas a fatores não-econômicos que envolvem valores históricos, culturais e até mesmo estéticos.
A conclusão é de uma análise sobre a valoração econômica e os instrumentos para a conservação e uso sustentável da biodiversidade coordenada por Luciano Verdade, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).
Verdade, que é membro da coordenação do Programa Biota-FAPESP, apresentou os resultados do estudo durante a conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right, realizada em dezembro pelo Programa Biota-FAPESP, pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
O professor coordena o Projeto Temático Mudanças socioambientais no Estado de São Paulo e perspectivas para a conservação, financiado pela FAPESP.
A reflexão sobre valoração econômica e conservação da biodiversidade foi feita a partir de uma análise das mudanças socioambientais ocorridas na região de Angatuba (SP), município situado a cerca de 210 quilômetros a oeste da capital paulista.
“A análise das mudanças ao longo do tempo mostrou que a configuração que encontramos hoje na região estudada tem uma base mais histórica que propriamente geográfica biológica. As transformações econômicas no decorrer do processo histórico foram o motor das mudanças nos processos ecológicos e agrícolas. Ao mesmo tempo, o estudo indica que a atividade econômica – às vezes vista como uma panaceia para combater a perda da biodiversidade – pode ser também a causa dessa perda”, disse Verdade.
A localidade de Angatuba foi elevada à categoria de município no ano de 1885. Entre 1889 e 1929, a população rural era predominante na área onde foi realizado o estudo. Havia pelo menos 30 famílias instaladas na zona rural.
“Era uma região com concentração de poder político, de onde saíram senadores e governadores naquela época. Na área de educação, havia ali um esforço maior que em outras cidades do mesmo porte. Em função desse desenvolvimento, houve um grande desmatamento, com a introdução de culturas de café, feijão, milho e frutas. Havia uma pressão de caça significativa e intensa extração de madeira. Naquele período, a população escrava foi substituída por imigrantes”, disse Verdade.
Com a crise financeira de 1929, a cultura de café foi subitamente abandonada, acarretando a recuperação da vegetação nativa. A depressão econômica causou um êxodo rural – os descendentes de escravos não permaneceram na região –, perda do poder político e retração dos esforços educacionais.
“Entre 1930 e 1975, houve um considerável processo de revegetação nativa – área de transição entre Cerrado e floresta semidecídua – e uma diminuição sensível da pressão de caça”, disse.
Entre 1975 e 2005, a população rural da área estudada passou por outra retração: restaram apenas cerca de dez famílias. “Mas o desmatamento da vegetação nativa voltou a aumentar, com o avanço dos pastos e da pecuária. Algumas árvores permaneceram no meio dos pastos, modificando a composição da paisagem. A pressão de caça voltou a ser significativa”, disse o pesquisador.
Em 2005, com a chegada da silvicultura, a população diminuiu ainda mais. Restaram duas ou três famílias. A legislação ambiental garantiu a implementação de áreas de preservação permanente (APP) e da reserva legal (RL).
“Graças a isso, está ocorrendo um novo processo de revegetação nativa e a pressão de caça voltou a diminuir. O esforço educacional do começo do século 20 também retornou, na forma de um esforço científico, com o nosso Projeto Temático e outras ações de pesquisa. Hoje, encontramos uma paisagem ainda mais modificada pelo advento da silvicultura, com eucaliptos no meio dos campos, por exemplo”, afirmou.
O caso de Angatuba, segundo Verdade, ilustra os processos que ocorreram de maneira geral em todo o Estado de São Paulo. “As mudanças ocorridas no estado se devem a transformações econômicas ao longo do processo histórico – e não tanto a transformações biológicas. As atividades econômicas vêm movendo os processos ecológicos e agrícolas”, disse.

Perspectivas econômicas
A biologia da conservação passou por diferentes momentos desde sua origem na década de 1970, a partir da obra do biólogo norte-americano Michael Soulé, que hoje atua na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, Estados Unidos. No início, a preocupação estava voltada principalmente para as populações pequenas, submetidas ao risco de extinção.
“A partir disso, houve o desenvolvimento de outras disciplinas ligadas á conservação biológica, incluindo a Ecologia da Paisagem e a medicina da Conservação. Em um dado momento, passou-se também a pensar nas dimensões econômicas ligadas aos processos de conservação de biodiversidade. Nesse sentido, Robert Costanza, da Portland State University, dos Estados Unidos, destaca que o “investimento na conservação sempre implica em custos”, disse Verdade.
Outra corrente, liderada pelo australiano Graeme Caughley (1937-1994), prega que são os processos demográficos de declínio populacional, envolvendo taxas de natalidade e de mortalidade, que empurram as populações para as extinções. A extinção, portanto, não seria apenas um problema de populações pequenas.
“Nessa perspectiva, há poucas alternativas em termos de conservação. Em um primeiro momento, podemos tentar aumentar o número de indivíduos de uma espécie que sofreu declínio populacional indevido. Nesse sentido, pode-se considerar a conservação como uma prática de manejo de espécies ameaçadas”, explicou.
Outras práticas possíveis são o controle de populações que tenham crescido indevidamente, ou o manejo para se alcançar o máximo rendimento sustentável de populações com valor econômico para caça, pesca ou coleta.
“Mas a motivação econômica para o manejo ocorre especialmente em duas categorias de populações: as ‘pragas’ e as espécies com valor econômico. As espécies consideradas ‘pragas’, são algumas dezenas. As de valor econômico – assim como as espécies ameaçadas – são contadas às centenas. A maior parte das espécies – alguns milhões delas – não se encaixam, no entanto, em nenhuma dessas categorias”, disse o professor da Esalq.
Quando se trata de controle na perspectiva da dimensão econômica, o objetivo é promover a extinção da espécie em questão. “Mas raramente temos sucesso com isso. Estudos mostram, por exemplo, que fêmeas de coiotes de populações sob alta pressão de caça ovulam mais que fêmeas de populações não caçadas. Exceto em relação a alguns grandes mamíferos, predominam exemplos de fracasso no manejo visando ao controle. Nunca vamos extinguir as baratas, por exemplo”, afirmou.
Quanto à exploração econômica das espécies, Verdade conta que os fatores culturais têm um papel que nem sempre é levado em conta. “No Brasil, por exemplo, somos muito conservadores em relação à pesca e muito liberais em relação à pesca. Na caça não se pode nada, com algumas exceções. E na pesca, pode-se tudo, com algumas exceções”, disse.
A visão da sociedade em relação à caça/pesca esportiva, segundo o cientista, é muito mais negativa que em relação à caça/pesca comercial. Mas a caça esportiva traria consigo um componente cultural, não econômico: o caçador quer perpetuar o animal para poder caçar sempre.
“O aspecto cultural assegura que o objetivo da atividade em si seja não econômico, o que permite sua perpetuação. A lógica econômica da caça comercial, por outro lado, tem como objetivo a exaustão de uma espécie e, em seguida, a busca de outra espécie até sua exaustão e assim sucessivamente. No entanto, ela é mais tolerada que a caça esportiva”, disse o membro da coordenação do Biota-FAPESP.

Desenvolvimento de mão dupla
A agricultura tem um impacto muito maior do que a caça na alteração do ambiente. A atividade agrícola traz benefícios inegáveis, de acordo com ele, permitindo o acúmulo de alimento. Mas traz também problemas ambientais.
“Justamente por ter permitido o adensamento populacional urbano, a atividade agrícola tem um custo ambiental altíssimo, gerando poluição e doenças. A agricultura gera riqueza e podemos dizer que ela viabilizou a civilização. Até mesmo as guerras só passaram a existir graças a ela, porque os exércitos só podiam se locomover se tivessem comida acumulada. Antes da agricultura só havia guerrilha”, disse Verdade.
Fenômeno ligado à economia, o desenvolvimento, de modo geral, traz consigo dois custos ambientais significativos: o aumento do consumo de energia e a destruição do habitat de certas espécies. Essa destruição do habitat teria extinguindo mais espécies que a própria caça.
“O processo de desenvolvimento leva a uma situação peculiar: quando a vontade individual se sobrepõe à vontade coletiva, normalmente se opta pelo benefício individual, o que leva ao colapso do sistema. Se não houver certa regulamentação, não se pode pensar na manutenção da funcionalidade do sistema. Para a coletividade brasileira, por exemplo, seria mais interessante manter um Código Florestal mais conservador. Mas, para setores individuais, o benefício vem com a relativização do código”, afirmou.
Nesse contexto a solução pode estar na valoração da economia dos serviços de ecossistemas – como a água e os polinizadores, por exemplo. “Mas esse processo de valoração tem limitações e requer avanços tecnológicos. As regulações exigem fiscalização. E os preços de mercado são flutuantes, o que dificulta a tarefa”, disse Verdade.
Para o cientista, o estudo do caso de Angatuba, colocado em perspectiva histórica da biologia da conservação, sugere que a atribuição de valor econômico não basta para preservar os recursos naturais. Segundo ele, há valores econômicos envolvidos – valores históricos, culturais e estéticos – que não podem ser negligenciados.
“O mercado varia, os preços caem e as crises acontecem. Há possibilidade de agregar valores à conservação da biodiversidade, de forma que o processo evolutivo seja mantido da melhor maneira possível. Nesse aspecto, as dimensões econômicas podem ser interessantes. Mas, se não agregarem valores não-econômicos, serão incapazes de garantir por si só a conservação da biodiversidade”, disse. 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

E ainda querem alterar o código florestal







 Art. 1° As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-se os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem.

  II - área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2o e 3o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
   a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
        1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
        2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura;  (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
        3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
        4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura;  (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
        5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros;  (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
        b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais;
      c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
        d) no topo de morros, montes, montanhas e serras;
        e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive;
        f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues;
        g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
        h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer  que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
       
        Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal,  e nas  regiões  metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo.(Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)

  Como se observa, não é pela omissão das leis que ocorre os desastres. Se o código florestal fosse observado, não haveria desmatamento nos topos de morros ( observem as diversas fotos onde ocorreram os movimento de massas), inundação de casas, condomínios e edificações diversas. 


  A falta de opção da população mais pobre conduz aos assentamentos irregulares, mas qual a justificativa para a autorização da construção de casas de alto padrão em vertentes com mais de 45% de declividade? Qual a justificativa da autorização de habitações, funcionamento de comércio e serviços as margens de córregos? Qual a justificativa para construção de ruas e estradas em cortes de morros sabidamente instáveis?

  A lógica capitalista de mercantilização dos espaços protegidos (definidos em lei) se sobrepõe ao interesse público. Um dos motivos da raíz dos problemas é ignorância sobre a dinâmica da natureza no mundo tropical, ainda que ela se apresente todos os anos, só aparece como tragédia, como culpa da população, como falta de ações do poder público. No final das contas trata-se de ignorância que se transforma em recurso político e mercadoria imobiliária.

  Se o ensino de geografia não fosse tão desvalorizado, teríamos mais consciência sobre como proteger nossa população das chuvas de verão. Não escolheríamos as vertentes para construir casas, só porque essas podem ter uma vista do horizonte mais ampla do que outras, não permitiríamos o desmatamento em topos de morros que favorecem a infiltração da água que percola subsuperficailamente,  saturando solos e os descolando da rochas, ocasionando o movimento de massas abrubtos. Protegeríamos  ás várzeas como parte integrante e indissociável dos rios, usando somente para atividades sazonais, como alguns tipos de agricultura ( orgãnica ) e uso para lazer de baixa intensidade de ocupação. Nunca para atividades permanentes como moradias e outras edificações permanentes. Espaços públicos que deveriam ser mantidos com públicos para o interesse público.

  Se formássemos mais professores de geografia, escolheríamos melhor nosso governantes, não apoiaríamos quem está propondo maior flexibilidade ao código florestal.

  Quando se reduz a avaliação escolar pelo ensino de matemática ou da língua portuguesa, valorizando-se as habilidades necessária para o "desenvolvimento econômico do país", como fazem governantes e jornalistas,  se retira a possibilidade da promoção do conhecimento, sobre o mundo em que se vive, se retira as ferramentas para se analisar o espaço de vida, seja ele físico, biológico,  político, econômico e cultural. Se retira a possibilidade de agir nas raizes dos problemas ambientais que a cada ano se expressam em nossas vidas cotidianas e que aparecem enviesadas nos meios de comunicação.   

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ano após ano as mesmas desculpas, as mesmas ações

 Ano após ano, observamos e ouvimos as mesmas desculpas e as mesmas explicações para o problema das inundações em São Paulo.

 O volume de precipitação, o lixo jogado pela população e a impermeabilização das ruas são as principais causas apontadas por políticos e jornalistas.

  Um volume imenso de recursos tem sido gastos com obras de engenharia, tais como a canalização de córregos, a construção de "piscinões" e  para o aprofundamento da calha do Rio Tietê.

  O discurso corrente esconde uma das principais causas do problema que ocorre no interior da bacia do alto Tietê: o desmatamento das bordas das bacias, dos morros e vertentes, e a retilinização de córregos. Claro que os outros motivos anualmente apontados, como a impermeabilização dos solos, a ocupação das várzeas e o entupimento da rede de drenagem, por lixo e sedimentos agravam a situação.

  Eis que as bordas da bacia sedimentar do alto Tietê é formada por morros e vertentes compostos de solos argilosos e profundos, desenvolvidos em função de uma estabilidade ecodinâmica ( Tricardt, 1977) que outrora era garantida pela cobertura vegetal.

  Na medida em que se desestabilizaram  esses solos, pela retirada da cobertura vegetal, esses passaram a ser erodidos e carreados para dentro dos córregos, tributários do Tietê, que canalizados perderam seus meandros e rugosidades que continham a velocidade das águas, e portanto, aumentou-se o poder de transporte de sedimentos.

  Basta observar a coloração das águas após as chuvas: cor de barro ( ferro oxidado), argila que foi retirada e carreada para dentro dos córregos e esses transportaram com força, os sedimentos para dentro do Tietê que anualmente é dragado, para se retirar milhões de toneladas de sedimentos ( contaminados) e depositados sabe lá onde.

  O mesmo ocorre com os piscinões que sem a devida manutenção perdem a capacidade de reservar as águas, pois ficam assoreados com os sedimentos que deveriam ser contidos por cobertura vegetal.

  Entretanto não há qualquer tipo de ação de reflorestamento de vertentes, de topos de morro, de matas ciliares que poderiam reter os sedimentos e diminuir a velocidade das águas.

  Também são tímidas e impopulares as ações de renaturalização de córregos ( processo caro, mas já recorrente em países mais ricos), pois esses, ao invés de se tornarem mercadoria urbana, retornariam a sua condição de espaços públicos.

 
Chega de discurso repetitivo, chega de enganar a população, chega de gastos com obras que isoladas não resolvem nada.

 

 Davis Gruber Sansolo